Sempre tem aquele momento na vida que você para e pensa "Puta merda, como eu sou fraco e despreparado pra vida!". Pelo menos comigo, já aconteceu muitas vezes. Em alguns empregos que tive, em algumas situações com pessoas que conheço, ou quando caiu na minha cabeça situações que eu nunca imaginava que fosse passar.
Daí, rola aquele momento de esquiva. Você sabe o que tem que fazer para sair dalí ou você sabe pelo menos como começar a tentar resolver o problema, mas você pensa: "Tenho que fazer tal coisa, mas vou só ali ver um filme", "tenho que melhorar nisso, mas vou só ali comer um chocolate", "tenho que repensar sobre isso, mas vou só ali ouvir uma música".
Se considerar um fraco tem um lado bom. Quando você finalmente vence suas esquivas - sim, porque elas não se sustentam para sempre - você encara a sua fraqueza de frente. Só você e você mesmo, alí, numa espécie de arena - psicológica, subjetiva - , se achando o pior dos seres e que jamais vai vencer aquilo.
É um encontro consigo, o que suas esquivas estavam tentando evitar. E tem aquele momento que você fica lá, aproveitando seu momento, achando que a vida é uma merda que não vale à pena.
Aqui, eu sempre me deparo com uma questão muito existencial que é: Nós sofremos. Estamos passíveis de sofrer pelo simples fato de estarmos vivos. E ele pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer situação, com qualquer pessoa, inclusive, sozinho.
Lembro de uma certa época da minha vida, aquela época que encontrei o budismo e durante um tempo eu não pensava em outra coisa. Não sei se tenho o budismo como uma religião, mas ler sobre ele e considerar alguns de seus preceitos para a minha vida foi transformador. Longe de mim defender com argumentos o que é o budismo, mas , no fim, o que eu senti diante dele foi "Ok, o mundo pode ser ruim, você pode sofrer, mas tudo bem, vamos passar por isso. Não adianta negar o sofrimento, pois então vamos passar por ele de uma maneira mais pacífica e benéfica. Você não precisa se tornar uma pessoa amarga porque sofre.Você pode estar em paz e ser feliz, mesmo que sofra."
Não dá pra explicar muito bem o momento que você renasce das cinzas. É uma espécie de insight, mesmo. O problema continua lá, mas você percebe que ele não é tão grande assim e que você sobreviveu diante dele e vai continuar sobrevivendo a outros. As vezes o renascimento pode durar um tempo, porque, em algumas situações, você tem algumas cicatrizes pra sarar. Mas tudo bem, você sobrevive a isso também.
E, no fim, o que fica, é que a vida realmente continua, que a gente realmente pode ir adiante, sem mágica, sem nada muito extraordinário, sendo o que mais sabemos ser: humanos, com nossas falhas, nossos acertos, nossas dúvidas, nossos insights, nossas dores e nossas alegrias.